Por Ricardo Benichio/Valor
José Luiz Poço, novo presidente da Certisign: mercado de assinatura digital no país atingirá R$ 1 bilhão até 2013
O engenheiro mecânico Sérgio Kulikovsky, 38 anos, confessa que perdeu a conta de quantas vezes teve que se debruçar sobre livros de administração de empresas. Nos últimos anos, enquanto tocava o dia-a-dia operacional, o executivo tentou riscar alguma visão de futuro para a Certisign, empresa da qual passou a ser sócio 1999. Não se saiu mal.
Até 2001, a Certisign era uma tímida operação com faturamento de R$ 1 milhão, dinheiro que nascia da venda de licenças de certificados digitais. Kulikovsky diversificou. Investiu no desenvolvimento de sistemas para integra-los aos produtos da americana Verisign, que representa até hoje no Brasil. Criou serviços de consultoria para projetos de assinatura digital, negócio que ganharia impulso a partir da criação da ICP-Brasil (Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira), o padrão de certificação adotado pelo governo.
Em 2005, o potencial do mercado de certificação digital atraiu investidores. O fundo de investimento Darby e a Intel Capital, braço de investimentos da Intel, entraram na operação. Um ano depois a Certisign faturava R$ 19,3 milhões. No ano passado, as vendas atingiram R$ 35,5 milhões.
Os números agradaram os acionistas da companhia, mas Kulikovsky admite que, como sócio da empresa - hoje ele detém 24% da companhia - sua posição na presidência gerava ruídos. "Sempre havia algum tipo de conflito", comenta.
A decisão foi deixar a presidência da companhia. Ontem, um comunicado interno distribuído entre os 240 funcionários da empresa informou que Kulikovsky passava a cadeira para José Luiz Poço, executivo que há oito meses fazia parte do conselho da Certisign. "Precisávamos de uma gestão mais profissional", diz.
A chegada do economista José Luiz Poço, que por 11 anos foi diretor financeiro da HP, é apenas uma parte das mudanças que a companhia pretende por em prática.
A hora é de arrumar a casa, comenta Poço. Alterações já foram feitas no conselho da empresa, que passa a ser presidido por Sérgio Kulikovsky. Os demais membros são Intel Capital, Darby e Verisign, que somam 30% de participação. Os demais 70% pertencem a pessoas físicas, como a família Safdie, ex-dona do Banco Cidade.
Na busca pelo cliente empresarial, a Certisign vai expandir o volume de balcões para venda dos certificados. Isso porque, para ter uma assinatura digital - que hoje custa R$ 110 (validade de um ano) ou R$ 165 (validade de três anos) -, a pessoa tem que ir pessoalmente a um posto de coleta de dados. Ali, informações como nome, e-mail, título de eleitor, RG e CPF são criptografados e transformados em um código, em uma assinatura digital.
Hoje a Certisign tem 150 balcões destes espalhados em locais como corretores de seguros, sindicatos e empresas de consultoria, mas uma parceria acaba de ser fechada com o Colégio Notarial, que representa os cartórios de notas do país. "Vamos ampliar nossa presença para dois mil balcões em três anos", diz Kulikovsky. O Brasil, comenta o executivo, tem 22 mil cartórios. A idéia é chegar a cerca de 10% dessa base.
O que alimenta os planos da companhia são as projeções para o mercado de certificação digital. Em 2007 essas tecnologias movimentaram R$ 100 milhões no país, com uma média de 300 mil certificados emitidos. Em cinco anos, porém, estima-se que o setor atinja R$ 1 bilhão em negócios.
Com expectativa de faturar R$ 45 milhões neste ano, hoje a Certisign praticamente divide o mercado de certificação digital do país com a Serasa, empresa que também é reconhecida pela ICP-Brasil para emissão das assinaturas eletrônicas. Atualmente, o Brasil tem mais de cinco milhões de certificados digitais em uso. Desse total, um milhão segue o padrão da ICP-Brasil.